Responsabilidade Social das Empresas (RSE). Como é que as empresas põem em prática?
As empresas não estão divorciadas do resto da sociedade. O comportamento das empresas afecta muitas pessoas, para além dos stakeholders. Uma empresa deve ser um membro responsável da sociedade em que opera. Isto significa contribuir para o Desenvolvimento Sustentável trabalhando de forma a melhorar a qualidade de vida dos seus funcionários, as suas famílias, a comunidade local e todas as partes interessadas desde o início ao fim da sua cadeia de negócio. Pode significar um novo jardim infantil, uma nova clínica, seguros de saúde ou áreas de lazer.
Como é que o WBCSD define Desenvolvimento Sustentável (DS)?
O WBCSD define Desenvolvimento Sustentável como uma forma de progresso que vai de encontro às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras irem de encontro às suas próprias necessidades. Devido à larga escala de pobreza mundial, o desafio de ir de encontro às necessidades de hoje é urgente. Mas teremos de olhar em frente para o nosso futuro de forma a garantir que o que fazemos hoje pela nossa população em crescimento não comprometa o ambiente e as necessidades sociais e humanas dos nossos descendentes.
Quais as vertentes do DS?
A estratégia que permite às empresas a aplicação de normas produtivas que conduzam ao Desenvolvimento Sustentável, é aplicada no âmbito de três vertentes principais: económica, social e ambiental.
O que é o Business Case para o DS?
A busca pela missão do Desenvolvimento Sustentável, pode tornar as nossas empresas mais competitivas, mais resistentes aos choques, mais ágeis face às constantes mudanças do mundo, tornando-as mais atractivas e seguras para clientes e colaboradores. Pode também tornar mais fácil o relacionamento entre todas as partes interessadas.
O que é a Eco-Eficiência?
A Eco-Eficiência é uma ciência aplicável ao mundo empresarial, que define novos procedimentos de trabalho, não só a nível da produção, mas também a montante e a jusante desse processo produtivo. Segundo o WBCSD "a eco-eficiência atinge-se através da disponibilização de bens e serviços a preços competitivos, que, por um lado, satisfaçam as necessidades humanas e contribuam para a qualidade de vida e, por outro lado, reduzam progressivamente o impacto ecológico e a intensidade de utilização de recursos ao longo do ciclo de vida, até atingirem um nível, que, pelo menos, seja compatível com a capacidade de renovação estimado para o planeta Terra".
Pode o BCSD Portugal promover patrocínios?
Ocasionalmente o BCSD Portugal é abordado para patrocínios de várias entidades ou eventos. Embora nenhum patrocínio possa ser dado, o Conselho pode facultar oradores, através dos seus membros ou internamente, para participação em conferências ou outros eventos. Desde que seja requisitado, este apoio pode ser dado a empresas não membro do BCSD Portugal em eventos que:
- dêem ênfase às dimensões económica, ambiental e social do Desenvolvimento Sustentável;
- sejam positivas em relação ao papel de liderança e inovação na contribuição para o Desenvolvimento Sustentável;
- tenham âmbito nacional ou internacional e não local ou regional.
Quando surgiu o conceito de Desenvolvimento Sustentável?
O conceito de Desenvolvimento Sustentável (DS) surge em 1987, no intitulado “Relatório Brundtland”, elaborado pela Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento, presidida por Gro Harlem Brundtland, então primeira ministra da Noruega. Segundo este relatório, o DS é entendido como o "desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras das suas próprias necessidades".
Em termos históricos, a tentativa de apelar a uma responsabilização integrada e global das empresas e dos governos para estas questões teve como primeiro marco a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em 1972, em Estocolmo. Contudo, apenas foram tratados os problemas ambientais, considerando que era necessário conter o crescimento económico para reduzir o impacto ambiental da actividade humana.
É possível ter sucesso e ser sustentável?
Não existe sustentabilidade sem sucesso económico, mas um sucesso económico sem sustentabilidade está condenado a prazo. Estes sucessos são, provavelmente, sucessos contextuais, que estão a acontecer porque a situação actual ainda permite que casos destes, de curto prazo, resultem mas, a longo prazo, essas opções não vão resultar.
O factor lucro é importante para a sustentabilidade de uma empresa, mas não é o único que importa. Este é apenas uma parte do filme; é sempre bom que essa fotografia seja positiva,mas não chega para ter a certeza do que vai acontecer a seguir.
O que é melhor: uma estratégia de sustentabilidade ou uma estratégia global de negócio que a incorpore?
Uma estratégia de sustentabilidade que não esteja integrada no modelo de negócio é algo que tem tendência a ser marketing. Se não for apenas marketing está metida no modelo de negócio. Uma boa estratégia de sustentabilidade não tem que ser obrigatoriamente um custo, devendo ser um investimento e algo que potencia a empresa.
Esta postura é caridade, um dever ou uma responsabilidade das empresas?
Há uma tradição filantrópica e mecenática das empresas ao longo dos tempos. E, por isso, há uma responsabilidade que tem sido mais ou menos assumida pelas empresas de devolver à sociedade uma parte do que a sociedade deu.