Agenda da Sustentabilidade 2019_Junho

Agenda da Sustentabilidade 2019_Junho

Data da publicação: Jul 2019

A força da fragilidade

por João Wengorovius Meneses, Secretário Geral

«Um poeta enquanto dorme trabalha.» 

– Jean Cocteau

Uma das dialéticas da Antiguidade Clássica era a que opunha estoicos a hedonistas e epicuristas. Os primeiros acreditavam que a felicidade se encontrava na subtração, em viver do modo virtuoso, minimalista, contemplativo. Já os segundos, sobretudo os hedonistas, acreditavam que esta advém sobretudo da adição, da permanente satisfação dos desejos. 

Avançando no tempo, na perspetiva do filósofo francês Gilles Lipovetsky, a nossa cultura contemporânea, vítima de uma máquina de sedução contínua chamada capitalismo, será predominantemente individualista, materialista e narcísica. Ou seja, o hedonismo terá saído vencedor, tanto no consumo, como nas relações e nos modos de vida.

Com a Revolução Industrial, não só se afirmou um modelo de desenvolvimento assente na especialização, na mecanização e no produtivismo (imagine-se o que seria uma empresa ou Governo não ter por ambição crescer continuamente…), que prefere o material ao imaterial e a rapidez à lentidão, como a expetativa de bem-estar material se tornou transversal e crescente. 

Por vezes as democracias liberais prometem mais do que o capitalismo pode oferecer, e então há sinais de ansiedade e frustração, mas nada que coloque em risco a base de valores das sociedades e dos modelos de desenvolvimento atuais. Para facilitar a transição para a modernidade, houve até países ou regimes que mudaram de religião oficial para religiões menos contemplativas, mais propensas à ação.

O tema desta newsletter é a tendência atual, que começa a ganhar cada vez mais espaço nas redes sociais, no storytelling das marcas e nos modos de vida, para vivermos mais devagar, mais conscientes e enraizados no aqui e agora. 

Os fenómenos relativamente recentes do mindfulness e dos healthy lifestyles serão um sintoma da importância crescente do artesanal e do orgânico, das relações e da desaceleração. Parece que quanto mais tecno-digital e rápido é o mundo, maior necessidade temos de o humanizar e de desacelerar. Não será por acaso que a Amazon começou a investir fortemente em lojas físicas (ainda que altamente eficientes). Em certo sentido, é como se o movimento slow food, nascido na década de 1980, estivesse finalmente a contaminar as sociedades e os modos de vida.

A sustentabilidade só poderá nascer da dialética ou do encontro entre os dois vetores: contemplação e ação, lentidão e rapidez. Por um lado, depende da nossa predisposição permanente para a curiosidade, a empatia, a compreensão e a experimentação – e sem tempo nunca a teremos. Por outro, a transição para a sustentabilidade também precisa de rapidez. Alterar os modos de produção e os hábitos de consumo de 7 ou 8 mil milhões de pessoas – e no pouco tempo que temos! – também depende de rapidez e de escala na ação. 

Mas que não seja só rapidez. Apesar da urgência, reinventar os negócios, transformá-los no sentido da sustentabilidade, obriga a parar. Ao contrário do que sugere o ditado, parar não é morrer, bem pelo contrário, ao dar espaço para que se possa olhar a empresa com o tempo e a distância necessários para que a criatividade e a ambição de um propósito maior aconteçam. Na sua fragilidade, a lentidão tem força.

As férias são um momento privilegiado para a desaceleração, para olhar com tempo, afinar a direção e ganhar balanço. Ao longo do ano, como sugere a palavra, geralmente o negócio é a negação do ócio. São como água e azeite. Mas nas férias percebe-se que não, percebe-se a importância do ócio – e como este, por vezes, ilumina tão bem o negócio. Boas férias!

CONVERSAS SOBRE SUSTENTABILIDADE

À conversa com Rogério Roque Amaro

O Secretário Geral do BCSD Portugal esteve à conversa com o Economista e Professor Associado do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa no departamento de Economia Política, Rogério Roque Amaro, sobre a “catástrofe” ambiental e social que se adivinha, as necessidades de reformulação do sistema capitalista e os limites da economia circular. Ver o vídeo >

ENTREVISTA

É urgente abrandar

Em entrevista, João Roquette, CEO do Esporão, explica como e porque é que a empresa está a reforçar a comunicação do sentido de fazer Mais. Devagar. Nomeadamente, seguindo o ritmo da natureza na produção de vinhos e azeites.

O Esporão lançou a campanha ‘Mais. Devagar.’ esta primavera. Porquê o foco na desaceleração? Faz-se sentir internamente, na maneira como a empresa opera?
O mundo tem vindo a acelerar desde a revolução industrial. Muito de bom foi conquistado pela sociedade mas estamos a sentir o impacto dos excessos de velocidade, crescimento, consumo, informação, uso de recursos, etc.  Sabendo que a vida e a felicidade dificilmente serão uma corrida contra o tempo e pelo crescimento económico, construir tempo para abrandar, olhar à volta e viver em vez de existir, parece-nos algo com potencial principalmente numa empresa que vive ao ritmo da natureza. Internamente isso significou também uma reflexam sobre a nossa produtividade e criatividade. Estamos  a trabalhar um projecto que questiona as 40h de trabalho por semana.

De que forma a sustentabilidade e o slow living são elementos estratégicos para a competitividade do Esporão e de que forma se reflete nos vossos objetivos atividades futuras?
O Esporão tem feito caminho para merecer o seu espaço na sociedade. Somos hoje um dos maiores proprietários de vinha biológica do mundo, medimos e tentamos reduzir ao máximo a utilização de recursos e ter uma relação justa com as pessoas dentro e fora da empresa. Esta atitude e percurso cada vez mais nos identifica e distingue enquanto projecto. A introdução do tema “Mais Devagar” vem na continuação deste percurso, propondo uma reflexão sobre a vida actual, as prioridades, o excesso onde se inclui o consumo. Fazê-lo sabendo que produzimos e vendemos muitas garrafas de vinho, azeite e cerveja. Acreditamos que o comportamento de compra das pessoas está a orientar-se para consumir menos mas melhor.

Afinal de contas, o que significa para si slow living? Trata-se de um lifestyle que um grupo cada vez maior de pessoas procura? Como se relaciona com a sustentabilidade?
O Esporão não faz parte de nenhum movimento especifico. “Mais Devagar” é uma ideia, uma causa, um desafio que fazemos a nós próprios e propomos a quem esteja interessado. Pelos resultados que estamos a ver, parece ser relevante para muita gente. O tempo parece hoje significar mais do que dinheiro. Achámos relevante fazê-lo pois relaciona-se directamente com os produtos da natureza, com a cultura de Portugal, das suas regiões específicas e do Esporão.

Considera o slow living uma tendência a que todas as empresas devem estar atentas e no sentido da qual deverão inovar não só internamente mas também em termos de oferta e comunicação?
As empresas devem sobretudo tentar ser coerentes e verdadeiras com aquilo que acreditam. Se não forem, as pessoas não acreditam nelas. Do que adianta ter um departamento, agenda e investimentos em iniciativas de sustentabilidade e manter na base modelos de negócio antigos e prejudiciais à sociedade? Parece-me que o mundo corporativo é responsável por muitos dos desafios que temos para resolver enquanto humanidade, sendo o maior de todos as alterações climáticas. O aumento da demografia e crescimento económico, o apelo constante ao consumo e o desequilíbrio na utilização de recursos, levaram-nos até aqui. Se foram as empresas, com a validação dos políticos, que criámos este problema, teremos de ser nós a resolvê-lo. Estou convencido que as empresas que genuinamente trabalharem a favor das pessoas vão ser recompensadas no longo prazo.

Como consumidor, onde considera que há espaço para melhorias ao nível da sustentabilidade e da desaceleração?
Na coragem e esforço para as empresas mudarem, abdicarem de algo a favor de um interesse maior. Foco na inovação, na humanização e verdade na comunicação.

Quais as principais tendências de inovação ao nível das operações e dos produtos, no domínio da sustentabilidade, no setor dos vinhos e azeites? 
Claramente a produção biológica. Está por demais provado que não podemos a destruir os nossos solos e a contaminar a água com produtos químicos, pondo a saúde das pessoas em risco em prole de custos de produção mais baixos no curto prazo. Está também cada vez mais clara a diferença de qualidade (cheiro, sabor, intensidade, longevidade) nos produtos biológicos. Os mais reconhecidos e caros vinhos do mundo são feitos em produção biológica há décadas.

De que forma os recentes acontecimentos ambientais em Portugal – por exemplo, aumento das temperaturas, seca, fogos florestais, novas leis sobre a limpeza das florestas – têm afetado a maneira como a vossa empresa opera a nível nacional? Como tem a empresa integrado os riscos climáticos?
As alterações climáticas chegaram. Na nossa empresa são uma realidade. No ano passado (2018), em dois dias de calor extremo em agosto perdemos cerca de 20% das uvas que tínhamos na vinha, representando um impacto directo de cerca de 1.0M€. Este ano (2019) choveu metade da média dos últimos 20 anos. Os poços estão secos e a secar, a nossa represa de água está a 25% da capacidade, o que representa o valor mais baixo desde que foi cheia. A barragem do Alqueva está a baixar a olhos vistos com a falta de chuva e o regadio de culturas super-intensivas novas para o Alentejo como o amendoal, o tomate, o abacate, etc. No Esporão, a agricultura biológica permite que os solos estejam de boa saúde e tenham a capacidade de receber e armazenar água, mitigando dentro do possível a falta de água. Temos vindo a estudar as 188 castas do nosso campo ampelográfico verificando o seu comportamento ao stress hídrico, calor excessivo, pragas e doenças, e fazendo algumas mudanças nas novas plantações. Na ultima década temos investindo na compra de terreno na Serra de São Mamede, em Portalegre, que está na parte mais fria e chuvosa do Alentejo.Temos constantemente desmaterializado as nossas embalagens, aumentando a produção de energia com sub-produtos da nossa actividade e energia solar.

Para além de ser um risco, a sustentabilidade também pode ser uma oportunidade para as empresas. Aliás, a par da digitalização, talvez seja a tendência que mais irá impactar os negócios no século XXI. Concorda? Como olha o Esporão para a sustentabilidade na perspetiva da oportunidade? Em que se traduz exatamente?
A palavra sustentável, associada a uma empresa, indica a capacidade dela perdurar no tempo. Isto leva-me a pensar que se trata mais de uma questão de sobrevivência do que de oportunidade. A diferença no crescimento das vendas dos produtos biológicos do Esporão versus os não biológicos é notória, com vantagem para os biológicos. O processo de conversão demorou-nos mais de 10 anos e ficará terminado este ano com a certificação da totalidade da nossa vinha e olival. Sendo a única empresa de vinhos portuguesa com este trabalho feito, estaremos numa situação competitiva privilegiada num futuro próximo. Pelo menos espero que assim seja…

BCSD PORTUGAL

BCSD organiza visionamento de documentário e debate público sobre alterações climáticas

No próximo dia 15 de julho, às 17 horas, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o BCSD Portugal apresenta, em parceria com a HBO Portugal, o visionamento público e gratuito do novo documentário sobre alterações climáticas, Ice on Fire, produzido e narrado por Leonardo DiCaprio. O documentário não só mostra as bases da ciência por detrás da crise do clima através de testemunhos e exemplos de cientistas reais de todo o mundo, como também apresenta soluções. Ao visionamento seguir-se-à um um debate público sobre o tema das alterações climáticas com a presença de:

  • António Mexia, CEO da EDP;
  • Gonçalo Vieira, Professor no IGOT e Coordenador do Programa Polar Português;
  • Francisca Salema, Estudante do ensino secundário, Organizadora da Greve Climática Estudantil;
  • Com moderação de João Wengorovius Meneses, Secretário Geral do BCSD.

Inscrições obrigatórias, aqui >

Guia do CEO sobre Direitos Humanos

Presidentes e CEO portugueses subscrevem a versão portuguesa do Guia do CEO sobre Direitos Humanos, lançada pelo BCSD Portugal, desafiando os seus pares para uma maior ambição na promoção dos direitos humanos nas organizações e nas cadeias de valor, indo para além da gestão de risco e do cumprimento dos quadros legislativos e regulatórios, na busca de transformações positivas na vida das pessoas. Está agora aberta uma segunda ronda de assinaturas a pedido de várias empresas. O Guia do CEO sobre Direitos Humanos é a versão portuguesa do CEO Guide for Human Rights, lançado no passado dia 19 pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e subscrito por 43 empresas, de 17 países, com 2,8 milhões de colaboradores diretos e uma cadeia de valor global vasta e transversal a 17 setores empresariais. Para consultar aqui >

Reporting Matters: a metodologia exclusiva do WBCSD em Portugal

A partir de agora já pode, com o BCSD Portugal, analisar o seu Relatório de Sustentabilidade e identificar oportunidades de melhoria efetivas com a metodologia Reporting Matters, desenvolvida pelo WBCSD. Contacte-nos para usufruir do serviço e clique aqui para ler mais >

A importância do Capital Natural

O BCSD Portugal acaba de lançar este vídeo sobre a importância do Capital Natural, com testemunhos de empresas associadas – EDP, Lipor, REN e The Navigator Company -, sobre o seu contributo para a sua conservação e proteção. O vídeo foi elaborado no âmbito do projeto LIFE VOLUNTEER ESCAPES (LIFE 17/ESC/PT 003), através de uma colaboração entre o BCSD Portugal e a Playsolutions. Saiba mais sobre o projeto, aqui >

Novos membros













Conheça, aqui, todos os membros do BCSD Portugal >

TENDÊNCIAS

Uma questão de velocidade

Há uma clara tendência a ganhar espaço nas redes sociais, na publicidade, no marketing, na indústria, na maneira como se gerem empresas, nos modos de vida: viver mais devagar e de forma mais simples. O movimento slow living não é novidade, mas está a crescer e a afetar os negócios como nunca antes, agora intimamente ligado ao ativismo ambiental e à perceção de status.

Slow living significa fazer escolhas conscientes para melhorar o nosso bem-estar e qualidade de vida, e desacelerar para melhor compreender como as nossas escolhas nos afetam a nós próprios, aos que nos rodeiam e ao planeta. Este estilo de vida prefere abordagens mais lentas a todos os aspectos da vida quotidiana, da alimentação ao sexo, passando pelo trabalho, pela educação, pela informação e por todas as formas de consumo.

O conceito surgiu no final dos anos 80 do século passado com o movimento slow food por oposição e reação ao crescimento da fast food, advogando a escolha de processos de produção de alimentos mais lentos e tradicionais e, por isso, mais saudáveis e naturais. Agora, com o crescente acesso a informação e o consequente aumento de consciência do consumidor, afeta todas os setores de mercado.

O objetivo é acabar com a glorificação da pressa e da ocupação, e viver de forma mais conectada com os outros, com os lugares e connosco mesmos, de modo a ter experiências mais ricas e satisfatórias e a sentirmos que a vida e a forma como vivemos têm um propósito – e isto reflete-se na nossa ideia coletiva de sucesso e nos nossos hábitos de consumo. Clique para ler mais >

BREVES

Guterres pede ação urgente para evitar catástrofe ambiental

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou, em Abu Dabi, que as alterações climáticas progridem mais depressa que o previsto, apelando para uma ação urgente para evitar uma “catástrofe”. “Nós estamos aqui enquanto o mundo enfrenta uma grave urgência climática”, declarou durante uma reunião de dois dias sobre o clima nos Emirados Árabes Unidos, de preparação da cimeira internacional de setembro, em Nova Iorque. “As alterações climáticas estão a ocorrer agora (…) progridem mesmo mais depressa do que o que previam os melhores cientistas do mundo” e “ultrapassam os nossos esforços para lutar contra”, afirmou o líder da ONU.

INE lança nova revisão estatística do progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou a segunda publicação nacional de acompanhamento estatístico da Agenda 2030 da ONU, intitulada “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Indicadores para Portugal | Agenda 2030”. A partir dos indicadores disponíveis é possível ter uma noção do desempenho do país em relação aos ODS, registando-se progressos em apenas alguns deles, nomeadamente nos domínios da redução da pobreza, do acesso à saúde e das energias renováveis.

RECURSOS

  • Estudo: Slow-Forward, por Católica Lisbon School of Business & Economics para Esporão 
  • Relatório: Top 10 Global Consumer Trends 2019, Euromonitor International 
  • Artigo: Speeding down – The Slow Living revolution, World Economic Forum 
  • Publicação: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Indicadores para Portugal 
  • Estudo: Evaluation of the CAP on climate change and greenhouse gas emissions 
  • Bolsa: LEAP – Policy Development Initiative, Produção e Consumo Sustentáveis, candidaturas até 15 de julho 
  • Prémio: Troféus Luso-Franceses 2019, candidaturas até 15 de setembro 
  • Cimeira: UN Climate Action Summit, 23 de setembro, Nova Iorque 
  • Recomendamos:





EVENTOS





  • CidadeMais: Da utopia ao dia-a-dia, 5 a 7 de julho, Porto 
  • Escola de verão sobre Sustentabilidade, 8 a 12 de julho 
  • Ice on Fire: Visualização de documentário e debate,15 de julho, Lisboa  
  • European Ecological Federation Congress, 29 de julho a 2 de agosto, Lisboa 
  • WBCSD Council Meeting 2019, 14 a 17 de outubro, Lisboa 
  • Greenfest Estoril, 17 a 20 de outubro 
  • Web Summit, 4 a 7 de novembro, Lisboa 
  • SB Oceans 2019, 14 a 16 de novembro, Porto (10% de desconto para membros BCSD Portugal) 
  • Conferência dos Oceanos da ONU, junho de 2020, Lisboa 

REDE







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