Agenda da Sustentabilidade 2019_Janeiro

Agenda da Sustentabilidade 2019_Janeiro

Data da publicação: 01/01/2019

A invenção do dia claro

por João Wengorovius Meneses, Secretário Geral

Há uma pergunta que fazemos diariamente no BCSD Portugal: se ainda houver lugar para a utopia no nosso tempo, que papel cabe ao consumo e à produção de bens e serviços?

De uma coisa estamos certos: o futuro não nos acontece, ele é criado por todos nós, na miríade imensa de decisões que tomamos diariamente. É como se cada decisão de cada pessoa, grande ou pequena, fosse uma linha, e no cruzamento de todas essas linhas se tecesse um tapete que é o nosso futuro.

(…)

O impacto que tem a produção de bens e serviços para 7 mil milhões de consumidores do planeta é de tal magnitude que ou esta é sustentável ou nunca teremos um modelo de desenvolvimento sustentável. Por esse motivo, consumo e produção responsáveis são um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Este ano, o BCSD Portugal vai desenvolver uma nova iniciativa, voltada para o consumo. Não basta apoiarmos as nossas empresas na sua jornada para a sustentabilidade. É fundamental ajudar cada pessoa a ser agente de mudança, a inventar o seu dia claro, na relação que estabelece com o mundo, através dos bens e serviços que consome.

Leia esta reflexão na íntegra, aqui >

BREVES

Jornada para a sustentabilidade no setor do vinho

O BCSD Portugal reuniu com a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) para dar início ao desenvolvimento de uma jornada para a sustentabilidade no setor do vinho. A CVRA, organismo que controla, protege e certifica os vinhos do Alentejo e que desenvolveu o primeiro programa regional de sustentabilidade para o setor do vinho, em Portugal (Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA)), é a primeira entidade a juntar-se ao BCSD Portugal nesta iniciativa.

EDP, Galp e Jerónimo Martins no índice Euronext Vigeo-Eiris

A EDP – Energias de Portugal, a Galp Energia e a Jerónimo Martins integraram o índice Euronext Vigeo-Eiris Europe 120 2018, tendo a EDP sido distinguida também no ranking mundial Euronext Vigeo World 120 2018. Os índices Vigeo Eiris são compostos pelas 120 empresas com melhor classificação de acordo com a avaliação do seu desempenho ao nível ambiental, social e de governence (ESG), abrangendo mais de 300 indicadores de performance sobre o impacto dos negócios em áreas tão diversas quanto os Direitos Humanos, os Recursos Humanos, o Envolvimento com a Comunidade e o Ambiente.

“Acordo de Paris” é um alerta de Bordalo II para a sustentabilidade

Artur Bordalo, o artista português que assina Bordalo II, inaugurou, no dia 26 de janeiro, em Paris, uma exposição sobre a destruição do meio ambiente e as alterações climáticas, intitulada “O Acordo de Paris”. A mostra, produzida pela galeria Mathgoth e patente até 2 de março, é composta por 30 obras inéditas e feitas de materiais recuperados do lixo que representam animais em extinção, numa reflexão sobre a devastação da natureza pela sociedade de consumo.

No Palácio de Belém só se vai consumir água da torneira

A Presidência da República e a EPAL começaram o ano com uma parceria que visa reconhecer o compromisso do mais alto órgão de soberania da Nação na gestão da eficiência de recursos, promovendo e divulgando o consumo de água da rede pública nas diversas salas e zonas comuns da residência oficial do Presidente da República, no Palácio de Belém. Neste âmbito, a EPAL disponibilizou jarros de vidro e garrafas a serem utilizados em todo o tipo de reuniões e encontros.

ENTREVISTA

NESPRESSO: “Cada chávena de café pode restaurar, reabastecer e revitalizar as comunidades e o ambiente”

Em entrevista ao BCSD Portugal, Sandra Cristina Conceição, diretora de operações da Nespresso, explica qual o papel da sustentabilidade na estratégia e nas operações da empresa.

Quais as principais tendências de inovação no domínio da sustentabilidade na indústria do café?

As grandes tendências estão, hoje, não apenas no desenvolvimento de modelos de economia circular para as cápsulas de café, mas, também, na redução do consumo de embalagens single use no momento do consumo. O excesso de utilização de palhinhas, paletinas ou copos de plástico foi ainda alvo de maior consciencialização no ano de 2018, constituindo um marco importante na definição de planos que permitam operacionalizar a sua substituição por alternativas cada vez mais sustentáveis e com modelos de economia circular responsáveis. Acreditamos que a tendência será cada vez mais reduzir a utilização de materiais com pegada menos positiva e a Nespresso não é exceção. Pretendemos, este ano, substituir as paletinas de plástico por paletinas de bambu e substituir a utilização de chávenas de acrílico nos momentos de tasting de café nas Boutiques e, sempre que possível, nos eventos em que participamos. A sustentabilidade é uma oportunidade de melhoria contínua.

Porque é a sustentabilidade um elemento estratégico para a competitividade da Nespresso?

Mais do que um elemento estratégico para a competitividade, a sustentabilidade faz parte dos valores da Nespresso. Acreditamos que cada chávena de café pode não só proporcionar um momento de prazer, mas também restaurar, reabastecer e revitalizar as comunidades e o ambiente. Como empresa, a sustentabilidade é a nossa forma de trabalhar, está no centro de tudo o que fazemos e é trabalhada em toda a cadeia, desde o grão do café até à chávena, através de três pilares fundamentais:

  • Produção de café da mais alta qualidade de forma sustentável: A criação do programa Nespresso AAA para a Qualidade Sustentável™, que combina o expertise em café com o conhecimento da Rainforest Alliance sobre a sustentabilidade social e ambiental, tem um efeito muito positivo sobre as pessoas que trabalham o café na sua origem e ainda no planeta;
  • Reciclagem de cápsulas e utilização responsável do alumínio: na estratégia de reciclagem da Nespresso, pretende-se que a utilização da cápsula não termine no momento em que se bebe o café, por isso, incentivamos todos os clientes a reciclar as suas cápsulas usadas, para que seja possível dar-lhes uma segunda vida: a borra é separada do alumínio e é integrada num composto agrícola que fertiliza campos de arroz, posteriormente doado ao Banco Alimentar; o alumínio segue normalmente a fileira da reciclagem e dá origem a muitos outros novos produtos, do qual são exemplo uma câmara pinhole (projeto desenvolvido pela Nespresso Portugal em 2018) ou canetas, mas existem muitos outros objetos passíveis de utilizar o alumínio reciclado;
  • Redução da pegada de carbono: uma redução em pelo menos 10% na operação global é o nosso objetivo até 2020 e, com o insetting da pegada de carbono operacional residual, queremos ser uma empresa 100% neutra em relação ao carbono; isto estende-se às explorações de café, cuja resiliência ao clima ajudaremos a aumentar através de um extensivo programa agroflorestal.

O processo de reciclagem das cápsulas Nespresso depende do compromisso do consumidor – como descreve a adesão dos portugueses a esta iniciativa e como planeiam melhorar os resultados?

Os portugueses estão cada vez mais conscientes e envolvidos com as questões ambientais. No programa de reciclagem das cápsulas Nespresso, o envolvimento é percetível pelo crescimento contínuo da taxa de reciclagem. Em 2016, a nossa taxa de reciclagem estava em cerca de 10% e, em apenas 2 anos, conseguimos duplicar, estando agora perto dos 20%. O crescimento deve-se maioritariamente à adesão e ao compromisso dos clientes Nespresso mas, também, à estratégia da marca, com dois grandes focos:

  • Tornar a reciclagem mais fácil com mais de 200 pontos para reciclar espalhados pelo país, além das 22 boutiques Nespresso, através do projeto Recycling@Home, que permite devolver as cápsulas usadas ao distribuidor no momento em que se recebe a nova encomenda e ainda através dos mais de 500 pontos para reciclar nos nossos clientes da área profissional;
  • Um plano de comunicação integrado que fornece mais informação aos clientes sobre os locais onde podem reciclar e desmistifica o que acontece às cápsula entregues: não está apenas a reciclar a cápsula, está a dar-lhe uma segunda vida! Com o projeto Reciclar é Alimentar já foi possível doar ao Banco Alimentar mais de 100 milhões de refeições.

Para 2019, continuaremos com um grande foco na comunicação da reciclagem e pretendemos, com a contribuição de todos os clientes Nespresso, chegar a uma taxa de reciclagem de 23%.

Que iniciativa destaca no vosso plano de atividades para 2019, no domínio da sustentabilidade?

Para 2019, destacamos duas iniciativas no domínio da sustentabilidade: reduzir a utilização de chávenas de acrílico nos tastings de café nas Boutiques Nespresso, substituindo-as, sempre que possível, por chávenas de porcelana, e passar a oferecer paletinas de bambu para mexer o café, deixando assim de utilizar as de plástico. Com estas duas grandes iniciativas, pretendemos reduzir ao máximo a utilização de plástico single use, assegurando sempre a qualidade dos nossos produtos e serviços.

Como consumidora, onde considera que há espaço para melhorias ao nível da sustentabilidade?

Globalmente, temos de tornar a reciclagem um ato integrado nos nossos hábitos e com um esforço quase inexistente. Para tal, é importante a criação de fluxos que permitam ao consumidor final simplificar o processo de segregação nos seus lares investindo antes em processos a montante capazes de o fazer. A inovação técnica é determinante, e depois o investimento capaz de habilitar os atuais sistemas instalados para que sejam capazes de o fazer. O encaminhamento para aterro é cada vez mais um caminho que deve ser mitigado, já que existem, hoje, modelos de economia circular significativamente mais relevantes, nomeadamente a conversão dos resíduos em energia, limitando os consumos de recursos naturais. A curto prazo, consideramos que, apesar de já existirem alguns projetos no que diz respeito à sustentabilidade, estes deverão ser promovidos e melhorados, sobretudo em áreas como o desperdício alimentar, a utilização da água e a reciclagem dos materiais, que pode também passar pela reciclagem das cápsulas de café. Há ainda um grande caminho a percorrer, mas entendemos que o mais importante é fazê-lo de uma forma responsável e sustentável.

Saiba mais sobre a política de sustentabilidade da Nespresso >

TENDÊNCIAS

Comissão Europeia reflete sobre Europa mais sustentável até 2030

Como parte do debate sobre o futuro da Europa, lançado com o Livro Branco da Comissão de 1 de março de 2017, a Comissão Europeia publicou, no dia 30 de janeiro, um documento de reflexão que pretende reforçar o compromisso da UE em cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O documento procura orientar a discussão sobre como estes objetivos podem ser melhor alcançados e como a União Europeia pode contribuir da melhor forma até 2030, revendo os desafios e apresentando cenários ilustrativos para o futuro que salientam que são necessárias novas medidas para que a UE e o mundo possam garantir um futuro sustentável. Em foco estão alguns princípios políticos fundamentais para a transição para a sustentabilidade, incluindo a mudança da economia linear para a circular, a correção dos desequilíbrios no sistema alimentar, a proteção do futuro da energia, dos edifícios e da mobilidade e a garantia de que esta transição seja justa. Destaca, ainda, a importância do investimento em educação, ciência, tecnologia, inovação, digitalização, finanças e tributação, conduta empresarial responsável, responsabilidade social corporativa e novos modelos de negócio, comércio livre e coerência das políticas a todos os níveis. Leia o comunicado >

Dar tudo

por João Wengorovius Meneses, Secretário Geral

Ou o nosso modelo de geração de riqueza é sustentável ou o nosso futuro não será brilhante – e, para tal, é necessário convocar Estados, empresas, sociedade civil e cidadãos. Às empresas, cabe assegurar um equilíbrio responsável entre o lucro e o modo de o obter, ou seja, entre o negócio, o seu modelo de governance e os seus impactos sociais e ambientais.

Assegurar a sustentabilidade dos negócios é não só uma excelente forma de gerir riscos e obrigações legais, mas também de diferenciação, em contextos competitivos e perante consumidores cada vez mais exigentes. Globalmente, as empresas estão sob um escrutínio cada vez maior, esperando-se que sejam capazes de gerar valor social e ambiental e não apenas dividendos para os seus accionistas.

Para 2019, o BCSD Portugal prevê um conjunto tendências que irão impactar a actividade empresarial, algumas das quais transitam de 2018. Da descarbonização à expansão do consumo ético, reveja as 9 tendências identificadas pelo Secretário Geral do BCSD >

Empresas portuguesas são pioneiras nas fibras ecológicas

A indústria da moda tem sido consistentemente identificada como uma das mais poluentes do mundo: valores de 2018 mostram que fazer um par de calças de ganga produz tantos gases de efeito de estufa quanto conduzir um carro a mais de 120 quilómetros por hora, que são necessários 2700 litros de água para fazer uma blusa de algodão (a mesmo quantidade média consumida por uma pessoa consome durante 2 anos e meio) e que as roupas descartadas feitas de tecidos não-orgânicos podem permanecer em aterros até 200 anos.

Depois de um relatório divulgado pela Global Fashion Agenda mostrar que lidar com os impactos ambientais e sociais da indústria proporcionaria um benefício total de 170 mil milhões de euros para a economia global até 2030, os stakeholders estão prontos para investir na sustentabilidade. Em Portugal, as empresas Filasa, Inovafil, Penteadora, Riopele, Sedacor, Somelos e Tintex têm inovado na ecologia das fibras. Saiba como no website BCSD Portugal >

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2019-03-07T17:20:45+00:00
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