Agenda da Sustentabilidade 2019_Fevereiro

Agenda da Sustentabilidade 2019_Fevereiro

Data da publicação: Mar 2019

É a tecnologia, estúpido

por João Wengorovius Meneses, Secretário Geral

Os extraordinários avanços tecnológicos dos últimos cem anos são uma esperança. Há neles um potencial disruptivo para gerar bem-estar para a sociedade que é exponencial. Como lembra Peter Diamandis, em Abundance, nos últimos 100 anos, a esperança média de vida mais do que duplicou, o PIB per capita triplicou, a mortalidade infantil e o preço da comida diminuíram dez vezes, o custo dos transportes diminuiu cem vezes e o custo das comunicações diminuiu mil vezes. Acresce que os circuitos integrados são hoje 30 mil vezes mais rápidos do que em 1960, o preço das energias renováveis diminuiu 250 vezes desde 1975, e a sequenciação do ADN é hoje 100 mil vezes mais barata do que em 2001. E se a esta lista juntarmos o potencial atual da biotecnologia, da nanotecnologia, da inteligência artificial e da internet das coisas, o futuro pode ser promissor.

É verdade que há desafios. Assimetrias incompreensíveis na distribuição da riqueza – os 26 mais ricos do mundo detêm um nível de riqueza equivalente aos 4 mil milhões mais pobres. Grandes desafios ambientais – alterações climáticas, lixo, poluição, desflorestação e perda galopante de biodiversidade. Impressiona, por exemplo, a quantidade de químicos nefastos para a saúde presentes no leite materno. E há, também, melhorias urgentes a obter ao nível do governance das organizações – do tratamento justo de todas as partes interessadas ao longo da cadeia de valor, à igualdade de género.

Para termos um modelo de desenvolvimento sustentável, temos de assegurar que as soluções (tecnológicas e não tecnológicas) ganham a corrida aos problemas. A boa notícia é que seremos cada vez mais a poder contribuir para as soluções. Se hoje temos 4 mil milhões de pessoas ligadas umas às outras, através da internet, a produzir e a aceder a conhecimento, e a trocar bens e serviços entre si, até 2030 este número deverá duplicar para 8 mil milhões de pessoas. Ou seja, a Humanidade inteira.

Para se ter mais uma ilustração da escala das mudanças em curso, em 2018 o valor processado em pagamentos pela Visa foi de 8 biliões de euros, ano em que foram processados 6 biliões com recurso a Bitcoin e 62 mil milhões com recurso à Venmo. A democratização digital e a mudança de paradigma tecnológico vão mesmo levar a mudanças exponenciais. Da FinTech à FoodTech, da BioTech à HealthTech, da MobTech à HomeTech, há um enorme potencial nas tecnologias emergentes para melhorar a vida das pessoas e o estado do Planeta.

Ao alargarmos e levarmos mais longe o potencial das tecnologias emergentes na génese da revolução da Indústria 4.0, centrando-as nas pessoas e no Planeta, estaremos a construir uma Sociedade 5.0, isto é, uma sociedade superinteligente sustentável. Será esse o tema da próxima conferência anual do BCSD Portugal, que terá lugar no dia 25 de março. Inscrições aqui. Até breve!

 

CONVERSAS SOBRE SUSTENTABILIDADE

À conversa com Mónica Ferro

O Secretário Geral do BCSD Portugal esteve à conversa com a Diretora do Escritório de Genebra do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). João Wengorovius Meneses e Mónica Ferro discutiram as ligações entre os temas populacionais e a sustentabilidade, nomeadamente, as razões para a diferença entre o número de filhos desejado e o número de filhos que as famílias efetivamente têm em todo o mundo e as consequências do aumento da população para a sustentabilidade das comunidades e do planeta. Mónica Ferro deixa, ainda, uma recomendação de leitura. Ver o vídeo >

ENTREVISTA

“Vai ser a plataforma para o bem da indústria da moda de luxo”

Em entrevista ao BCSD Portugal, Thomas Berry, Diretor Global para a Sustentabilidade da Farfetch, explica como a plataforma vai contribuir para reduzir o impacto ambiental da indústria da moda, elevar os padrões de transparência e desenvolver modelos de negócio circulares. 

De que maneira ligar criadores, curadores e consumidores numa plataforma online pode contribuir para concretização de objetivos ligados à sustentabilidade?

A Farfetch quer incluir a sustentabilidade na estratégia de negócio, e não apenas por temos um sentido de responsabilidade que nos leva a fazer algo. Quando falamos de sustentabilidade, referimo-nos a um conceito muito alargado. Nós queremos focar-nos em áreas onde possamos ter um impacto genuíno na vida das pessoas e do planeta, de uma forma que possa ajudar-nos também a ter um negócio de sucesso. Sendo a plataforma tecnológica global para a indústria da moda de luxo, a visão mais natural de negócio sustentável da Farfetch é tornar-se também a plataforma global para o bem da indústria da moda de luxo. A indústria da moda tem de mudar – é uma das mais poluidoras do mundo e sofre ainda com uma miríade de problemas sociais e ambientais. Como plataforma, temos a possibilidade de reduzir o impacto da nossa pegada de carbono e o desperdício, e de ajudar os nossos parceiros a fazer o mesmo. Podemos e devemos inspirar os consumidores ao indicar as marcas mais conscientes ambientalmente, e ajudar a indústria a elevar os padrões de transparência. Também é possível explorar modelos de negócio diferentes, mais circulares, que contribuam para reduzir o desperdício e para aumentar o ciclo de vida das roupas, através do desenvolvimento de novos serviços e da inclusão na nossa plataforma de parceiros que estejam a inovar nesta área.

Na vossa opinião, e tendo o setor da moda de luxo como referência, que relevância tem a consciência ecológica na definição da individualidade e que exigências faz o consumidor ao nível da sustentabilidade? Quão importante é a transparência para as empresas do setor?

Há um aumento considerável do interesse em sustentabilidade por parte dos consumidores, em particular entre os millenials. No entanto, o que os estudos mostram é que as preocupações ambientais ou éticas ainda não estão entre os factores decisivos no momento de tomar uma decisão. Ainda assim, aquilo que sabemos é que os clientes querem de facto confiar nas marcas e querem sentir-se bem com aquilo que vestem. Por isso, escolhem cada vez mais as marcas que incluem a sustentabilidade e um propósito social nos seus valores. Ser transparente em relação àquilo que faz e que defende, em relação à forma como faz os seus produtos, é vital para qualquer marca. Este pensamento estende-se ao sucesso dos modelos de economia circular, como aluguer, revenda ou restauros. E isto vai basear-se no apelo aos motivos de compra mais comuns entre os consumidores: preço, novidade, conveniência, estilo, qualidade, etc. Os consumidores estão cada vez mais conscientes e preocupados com o impacto da chamada fast fashion – usar roupas durante pouco tempo e imediatamente desfazer-se delas. Parte do apelo dos modelos de economia circular é precisamente o facto de atacarem diretamente este problema. Assim, os consumidores conseguem satisfazer os seus desejos quando compram e, ao mesmo tempo, fazer algo que faz com que se sintam bem.

Definem, como um dos valores da marca, a sustentabilidade: de que forma se reflete nos vossos objetivos para 2019?

A Farfetch vai ser a plataforma para o bem na indústria da moda de luxo. Estamos ainda no começo desta jornada, mas temos já planos muito concretos para 2019. A Dream Assembly, que é a aceleradora tecnológica da Farfetch, abriu recentemente as candidaturas para a segunda edição, focando-se em start-ups em estágio inicial, com fins lucrativos, mas que apresentem projetos com benefícios sociais ou ambientais. Em 2018, o ano inaugural, a Farfetch acolheu 11 start-ups de 9 países e a maioria delas apresentaram projetos com benefícios sociais e ambientais significativos – estamos a falar de serviços de restauro, negócios de revenda ou aluguer, tecnologias para minimizar os erros com tamanhos, que vão ajudar a diminuir a taxa de devoluções, e uma solução tecnológica para aumentar a autenticidade, transparência e confiança nos negócios. Temos um conjunto de programas para tornar a nossa cadeia de logística mais eficiente do ponto de vista de custo e de pegada ecológica, e estamos a desenvolver novas embalagens, garantindo que estão todas certificadas ambientalmente. Para além disso, temos já projetos de economia circular e parcerias que vão ajudar a aumentar o tempo de vida de roupas e acessórios, e estamos prestes a juntar-nos à Fundação Ellen MacArthur – Make Fashion Circular, que é uma iniciativa para promover a mudança na indústria. Outro dos nossos objetivos é investir em ferramentas online e de marketing para destacar e promover das marcas com maior consciência ambiental presentes no nosso marketplace. Esta nossa estratégia para 2019 será o começo da jornada para ajudar a indústria a caminhar num rumo mais moderno e mais sustentável, afirmando assim a moda como uma força para o bem. Saiba mais sobre a Farfetch >

TENDÊNCIAS

Sociedade 5.0

Este conceito, a visão para o futuro pensada e exportada pelo Japão, será o tema da Conferência Anual do BCSD Portugal em 2019. Face aos desafios de hoje, este plano para amanhã passa pela aposta em tecnologia como a robótica, a big data, a internet das coisas e a inteligência artificial e pela sua aplicação concreta à saúde, à mobilidade e ao desenvolvimento pessoal de todos. O objetivo é, através da digitalização de todos os setores da sociedade, viver num mundo super-humano, super-inteligente, super-conectado, super-eficiente e, por isso, super-sustentável. Saiba mais >

BREVES

Carnavais ecológicos em Portugal

Este ano, o Carnaval em Portugal segue as tendências sociais, políticas e económicas e vai dar mais atenção aos assuntos relacionados com o Ambiente. A festa em Torres Vedras promete ser a mais ecológica de sempre, com a proibição da venda de garrafas de vidro e plástico, a introdução do EcoCopo reutilizável e a possibilidade de os participantes ganharem brindes em troca de recolherem plástico. A organização do Carnaval de Ovar distribuiu 60 mil copos reutilizáveis que serão obrigatórios nos bares temporários licenciados para os principais cinco dias da festa, para reduzir a pegada ecológica do Carnaval local em 80%. No Carnaval de Buarcos, as crianças que desfilarão vão receber uma garrafa de água reutilizável, numa parceria do município da Figueira da Foz com a empresa Águas da Figueira, SA. Em Santarém as Alterações Climáticas são o tema do desfile e, à semelhança de anos anteriores, Esposende irá promover um desfile de carnaval ecológico, este ano, sobre os oceanos.

Greve global à escola pelo clima

Com o objetivo de “exigir ao Governo que faça das medidas da resolução da crise climática uma prioridade, cumprindo com seriedade o Acordo de Paris e as metas ambientais estabelecidas pela União Europeia”, os estudantes portugueses juntaram-se ao movimento global #SchoolStrike4Climate e #FridaysForFuture e convocaram greve para o próximo dia 15 de março. Inspirados pelo trabalho da jovem ativista sueca Greta Thunberg, os jovens portugueses vão faltar à escola e manifestar-se, tal como os estudantes de dezenas de cidades de outros países. Em Lisboa, a manifestação está marcada para o Largo Camões e o objetivo é marchar até à Assembleia da República. Em Coimbra e Porto, a concentração vai decorrer em frente à câmara municipal. Tudo às 10h30.

Japão transforma lixo eletrónico em medalhas olímpicas

Com o objetivo de alertar para o valor do desperdício electrónico, nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020, em Tóquio, todas as medalhas vão ser produzidas reutilizando metais preciosos de telemóveis, computadores, tablets e outros dispositivos inutilizados. A campanha da organização dos Jogos começou a recolher componentes em 2017 e, até agora, as autoridades municipais recolheram mais de 47 mil toneladas de aparelhos electrónicos e a NTT DoCoMo — empresa de telecomunicações a colaborar com a iniciativa — recebeu mais de cinco milhões de telemóveis usados. Até agora foram extraídas mais de seis toneladas de metais preciosos.

Prazo para limpeza de terrenos a terminar

Os proprietários de terrenos em espaços rurais têm até 15 de março para limpar o mato e podar as árvores junto a casas isoladas, aldeias e estradas para prevenção dos fogos florestais. Repetem-se os prazos e o valor das coimas aplicados em 2018, variando estas entre 280 e 120.000 euros. Este ano as operações de limpeza das florestas, e as ações de reflorestação e adaptação florestal às alterações climáticas, vão ter benefícios fiscais em sede de IRC e de IRS com uma majoração em 40% dos encargos.

RECURSOS

  • Infografia: Há mais de 24 mil espécies em risco 
  • Artigo: Inteligência artificial e a economia circular 
  • Relatório: The circularity gap report 2019 
  • Relatório: EU report on climate-related disclosures 
  • Investigação: Ecodesign para uma metodologia de economia circular 
  • Prémio: United Nation’s Global Climate Action Award 
  • Prémio: ECOTROPHELIA premeia eco-inovação alimentar  
  • Conferência: 2019 Circular Economy Stakeholder Conference, 6 de março, Bélgica  
  • Curso: Happiness Management, 11, 13, 18 e 20 de março, Porto 
  • Conferência: 7th Responsible Business Summit New York 2019, 18 e 19 de março, Nova Iorque 
  • Webminar: EREK – Lições aprendidas com o fornecimento de programas de apoio à eficiência de recursos para as PME na Europa, 19 de março 
  • Debate: How business can tackle modern slavery and forced labour, 2 e 3 de abril, Londres 
  • Recomendamos:



EVENTOS

  • Climate Change Leadership – Solutions for the wine industry, 5 a 7 de março, Porto 
  • Catalyst – Inspiring future fashion, 6 e 7 de março, Lisboa 
  • 12.º Seminário sobre Águas Subterrâneas, 7 e 8 de março, Coimbra 

 

  • Discover Sustainability @ Fashion Masterclass by BCSD Portugal no Checkpoint da Modalisboa, 9 de março, das 17h às 18h30 no Pavilhão Carlos Lopes 
  • Curso intensivo de formação: Resiliência e sustentabilidade de destinos turísticos, 18 e 19 de março, Lisboa 


  • II Conferência Internacional Riscos, Segurança e Cidadania – Gestão de Risco e Alterações climáticas, 28 e 29 de março, Setúbal 
  • Workshop: Amostragem, análise de águas e o desafio da reutilização das águas residuais, 29 de março, Lisboa 



  • WBCSD Council Meeting 2019, 14 a 17 de outubro, Lisboa 

BCSD PORTUGAL

BCSD aposta em reestruturação do website

Para acompanhar o ritmo dos novos projetos, o BCSD Portugal fez uma revisão aos seus meios de comunicação e, a par do lançamento desta newsletter – a Agenda da Sustentabilidade – tratou de reestruturar o website para o tornar mais acessível e completo. As melhorias ao nível gráfico, da navegabilidade e do conteúdo estão enquadradas na atual estratégia e focaram-se na vontade de desenvolver temas como a Sociedade 5.0, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, a Neutralidade Carbónica e a Economia Circular. É, agora, mais fácil encontrar informação de referência sobre os projetos e as áreas de ação do BCSD Portugal e dos seus parceiros. Foi, ainda, desenvolvida, uma versão simplificada em inglês, para garantir que a missão do BCSD Portugal e seus membros é comunicada a todos os que procuram conhecê-la. Visite o novo website >

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2019-03-07T17:08:33+00:00
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