Agenda da Sustentabilidade 2019_Maio

Agenda da Sustentabilidade 2019_Maio

Data da publicação: Jun 2019

Into the wild

por João Wengorovius Meneses, Secretário Geral

«A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira.» 

– Sophia de Mello Breyner Andresen

Desta vez falamos de biodiversidade. Se estivéssemos numa escola, talvez lhe chamássemos natureza. Numa empresa, seria bioeconomia, recursos naturais, ou bens e serviços dos ecossistemas. Já num poema poderia ser apenas o brilho do mar ou o vermelho da maçã. Seja qual for a palavra – biodiversidade ou não –, a verdade é que estamos cada vez mais longe da natureza e em perigo de a perdermos, pelo menos no seu esplendor.

A natureza somos nós. Ela é o ar que respiramos, a comida que comemos, os medicamentos que tomamos, a água que bebemos, o papel do livro que lemos, a onda que rebenta, a sombra que acolhe. Se olharmos à nossa volta, ela está em quase tudo, incluindo na cadeira que nos sustém ou no interior do telemóvel, tablet ou computador que transporta este texto.

A natureza é um sistema que existe há 4,5 mil milhões de anos e que, com o tempo, se tornou perfeito, sem desequilíbrios, nem perdas. O que é desperdício para uns é energia para outros. Nada se perde, tudo se transforma. Foi assim até uma das espécies – a espécie humana – com o mesmo brilhantismo com que se tornou senhora do planeta, ter começado a atuar como “serial killer”, na expressão de Yuval Harari em “Sapiens”.

Desde a primeira Revolução Agrícola, há cerca de 10 mil anos, que a Humanidade tem um impacto transformador na natureza em busca de bem-estar – o que não só é compreensível, como tem sido sempre gerido pela própria natureza, que é resiliente. Que esse impacto seja cada vez maior, à medida que a população aumenta, também é compreensível e, mais uma vez, tem sido integrado pela natureza. Mas que neste momento não sejamos capazes de repensar os nossos modelos de desenvolvimento e de negócio, de modo a evitar um colapso previsível, já não se compreende tão bem, nem parece inteligente.

O planeta mudou mais nos últimos 20 anos do que nos 300 anos anteriores. Neste momento, temos 10 anos para inverter a tendência atual, ou muito provavelmente teremos de enfrentar reações em cadeia com consequências imprevisíveis, mas seguramente trágicas. Estamos a uma distância muito curta da ficção científica se tornar facto científico.

Ao ritmo e escala atuais de perda de biodiversidade, desflorestação, exploração de recursos naturais, poluição e emissão de gases com efeito de estufa, o nosso futuro não pode ser brilhante. No que diz respeito à perda de biodiversidade, não só o processo de aniquilação massiva é injusto para com todas as outras formas de vida e as gerações futuras, como seremos nós os principais perdedores já nas próximas décadas. 

A biodiversidade precisa de ser protegida e valorizada, e o atual modelo de desenvolvimento linear, que herdámos da Revolução Industrial – assente na extração, transformação, utilização, descarte – tem de ser rapidamente abandonado, dando lugar a modelos de desenvolvimento e de negócio circulares. 

A sustentabilidade não pode ser encarada como uma externalidade, tem de ser uma centralidade. A boa notícia é que as oportunidades de negócio e de redução do risco de operação para as empresas que integrem a biodiversidade nas suas estratégias e cadeias de valor serão cada vez maiores. 

Idealmente, haverá um referencial no futuro para nos ajudar a lidar com a biodiversidade, equivalente aos science-based targets instituídos pelo Acordo de Paris para ajudar os Estados e as empresas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. 

Mas as métricas e os planos nunca serão suficientes. A defesa da biodiversidade tem de assentar numa compreensão, numa empatia, numa paixão genuína pela natureza. Perante um fundo de mar de coral morto, é impossível não sentir a dor da explosão de vida que antes era. Tal como é impossível ficar indiferente à beleza dramática da nova série “Our Planet”, de David Attenborough, ou às memórias de infância na praia ou no campo, ou à beleza e fragilidade da Terra vista da lua. Delicadeza e gratidão deveriam ser a nossa primeira reação – e depois, então, toda a nossa inteligência e criatividade no redesenho dos nossos modelos de desenvolvimento e de negócio.

CONVERSAS SOBRE SUSTENTABILIDADE

À conversa com Cris Close

O Secretário Geral do BCSD Portugal esteve à conversa com a diretora Global para as Práticas de Mercado do World Wildlife Fund (WWF), sobre como alcançar e manter a longo prazo um verdadeiro modelo de desenvolvimento sustentável, à escala global, num mundo com quase 9 mil milhões de pessoas onde o poder de compra e os padrões de consumo têm vindo a aumentarVer o vídeo >

TENDÊNCIAS

O retorno sobre o investimento na biodiversidade

É urgente divulgar o conhecimento sobre a relação entre as atividades económicas, as práticas produtivas, o bem-estar humano e o impacto nos ecossistemas. É obrigatório incorporar a biodiversidade nas estratégias e negócios das empresas; aquelas que mais cedo o fizerem assumirão um papel de liderança, tornar-se-ão numa referência para as restantes e beneficiarão de uma vantagem competitiva no acesso a mercados, recursos e financiamento.

O mais completo e atual relatório sobre a biodiversidade global, divulgado a 6 de maio pela Plataforma Intergovernamental Científica e Política para a Biodiversidade e os Ecossistemas (IPBES, na sigla inglesa), criada no âmbito das Nações Unidas, juntou a investigação e as opiniões de 400 cientistas e chegou à conclusão de que “a destruição da biodiversidade e dos ecossistemas atingiu níveis que ameaçam o bem-estar da humanidade, pelo menos tanto quanto as alterações climáticas induzidas pelo ser humano”, sendo necessária “uma mudança revolucionária para impedir uma crise de extinção global sem precedentes”.

O relatório espelha o falhanço completo das metas estabelecidas pela Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD, na sigla inglesa), com progressos significativos em componentes de apenas quatro das 20 Metas de Biodiversidade de Aichi, sendo provável o fracasso da maioria até o prazo de 2020. Mais: estas tendências negativas na biodiversidade e nos ecossistemas afetarão de forma significativa o progresso de 80% das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), relacionadas com pobreza, fome, saúde, água, cidades, clima, vida marinha e vida terrestre (ODS 1, 2, 3, 6, 11, 13, 14 e 15).

Além de uma questão ambiental vital, a perda de biodiversidade é, agora, um problema de desenvolvimento económico e social, uma questão de segurança e uma preocupação moral. Esta consciencialização evidencia não só os riscos para as empresas mas também as oportunidades, com economistas a calcular que o aumento da receita e dos lucros resultantes da conservação da biodiversidade poderia gerar entre 25 e 50 mil milhões de dólares por ano. Clique para ler mais >

BREVES

Projeto municipal para a criação de prados com ovelhas em Lisboa

É o primeiro projeto LIFE ganho pela Câmara Municipal de Lisboa e vai permitir criar prados biodiversos onde a autarquia colocará ovelhas a pastar, com o objetivo de adaptar a cidade às alterações climáticas. Lisboa acaba de receber mais um incentivo ao ganhar um financiamento de 2,7 milhões de euros, 55% de origem comunitária, para o projeto “Lungs” (Pulmões), que arranca em setembro e se prolonga até 2024, com o objetivo de tornar a cidade mais fresca, poupar água e melhorar a qualidade dos solos.

Imagens de satélite para identificar crimes ambientais

A empresa CybELE, que tem sede na DNA Cascais e que é integrada no centro de incubação da Agência Espacial Europeia (ESA BIC) em Portugal, está a desenvolver tecnologia que recorre às imagens de satélite para ser mais fácil identificar crimes ambientais. A tecnologia permite poupar dinheiro e tempo usado na investigação das provas de crimes ambientais, bem como na identificação e cálculo dos custos dos danos ambientais provocados, gerando relatórios baseados numa análise de dados de satélites, escritos de forma a poderem ser utilizados no contexto de procedimentos judiciais.

Correr para alertar para a poluição dos oceanos

A Adidas volta a promover a corrida Run For The Oceans entre 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos, e dia 16. Durante essa semana, por cada quilómetro feito no desafio da aplicação Runtastic, a marca contribui com um dólar (cerca de 89 cêntimos) para a Parley Ocean School, que educa os jovens sobre o meio ambiente. Para participar, basta descarregar a aplicação gratuita, que está disponível para os sistemas operativos iOS e Android.

RECURSOS
  • Relatório: IPBES Global Assessment 2019 
  • Relatório: Living Planet Report 2018 – WWF 
  • Opinião: O valor da biodiversidade – por Maria Amélia Martins-Loução, bióloga, professora catedrática e presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia 
  • Brochura: 8 business cases for the circular economy – WBCSD 
  • Cimeira: World Summit on Sustainable Mobility, 4 a 6 de junho, Montreal 
  • Cimeira: 18th Responsible Business Summit Europe 2019, 10 a 12 de junho, Londres 
  • Programa de aceleração: Blue Bio Value, candidaturas até 21 de junho 
  • Cimeira: UN Climate Action Summit, 23 de setembro, Nova Iorque 
  • Recomendamos:




EVENTOS

BCSD Portugal em junho 2019

O BCSD Portugal reforça o compromisso com a divulgação do conhecimento sobre desenvolvimento sustentável com uma agenda preenchida: a 7 de junho junta-se à programação do GreenFest no Mosteiro de Tibães, em Braga, para uma reflexão sobre sustentabilidade; a 25 de junho participa na 5ª edição do Bootcamp Internacional da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, com uma palestra dedicada à “Sustentabilidade como driver da internacionalização”. O mês termina com o Encontro de Delegados no Museu da Água, em Lisboa:





  • Greenfest Braga, 6 a 9 de junho 
  • Bootcamp Internacional da CCIP, 25 de junho 
  • MUST Wine Summit – Fermenting ideas, 26 a 28 de junho, Cascais 
  • Encontro de Delegados do BCSD Portugal, 28 de junho, Lisboa 
  • CidadeMais: Da utopia ao dia-a-dia, 5 a 7 de julho, Porto 
  • Escola de verão sobre Sustentabilidade, 8 a 12 de julho 
  • European Ecological Federation Congress, 29 de julho a 2 de agosto, Lisboa 
  • Greenfest Estoril, 17 a 20 de outubro 
  • WBCSD Council Meeting 2019, 14 a 17 de outubro, Lisboa 
  • Web Summit, 4 a 7 de novembro, Lisboa 
  • SB Oceans 2019, 14 a 16 de novembro, Porto (10% de desconto para membros BCSD Portugal) 
  • Conferência dos Oceanos da ONU, junho de 2020, Lisboa 
BCSD PORTUGAL

Reporting Matters: a metodologia exclusiva do WBCSD em Portugal

A partir de agora já pode, com o BCSD Portugal, analisar o seu Relatório de Sustentabilidade e identificar oportunidades de melhoria efetivas com a metodologia Reporting Matters, desenvolvida pelo WBCSD. Contacte-nos para usufruir do serviço e clique aqui para ler mais >

LIFE Volunteer Escapes

No âmbito do projeto LIFE Volunteer Escapes o BCSD Portugal realizou, até agora, 55 ações de sensibilização sobre capital natural em 28 escolas secundárias, abrangendo 3357 alunos de todo o país. O objetivo é capacitar jovens durante o seu percurso escolar e colmatar as lacunas de informação e conhecimentos ao nível da conservação e proteção da natureza. Este projeto preparatório, apoiado pelo Programa para o Ambiente e a Ação Climática (LIFE), é pioneiro em Portugal e visa apoiar a utilização do European Solidarity Corps para a conservação da natureza. Na próxima etapa do projeto o BCSD Portugal irá realizar sessões de sensibilização e de demonstração para jovens empreendedores, start-up, PME e empresas em geral.

Nova direção

Tomaram posse, no dia 20 de maio, os novos órgãos sociais do BCSD Portugal para o triénio 2019-2021, nomeadamente, o Presidente da Direção João Castello Branco (The Navigator Company) e os Vice-Presidentes Vasco de Mello (Brisa), Cristina Amorim (Corticeira Amorim), António Martins da Costa (EDP), Carlos Costa Pina (Galp), Isabel Barros (Sonae) e Sofia Crisóstomo Silva (Trivalor). A equipa agradece aos órgãos cessantes por terem contribuído ativamente para colocar a sustentabilidade na agenda nacional, e à nova Direção por ter aceitado dar continuidade a esta jornada, com foco na inovação e aceleração de soluções para os desafios da agenda global.

Relatório e contas 2018

(…) Ligado à organização internacional WBCSD – World Business Council for Sustainable Development, o BCSD Portugal é hoje uma associação com uma voz ativa e de referência no domínio da sustentabilidade. Apoia as empresas em Portugal na sua jornada para um mundo mais sustentável e contribui para o desenvolvimento de políticas públicas e debates informados sobre esta temática. O BCSD representa empresas que reconhecem já hoje a sustentabilidade como vetor estratégico crucial de competitividade, que correspondem, em diferentes setores, a 38% do PIB nacional, com cerca de 65 mil milhões de euros em volume de negócios, e que empregam mais de 270 mil colaboradores. (…) A crescente relevância do BCSD Portugal é, por isso, inquestionável e estou certo de que a Associação está bem preparada para continuar a entregar resultados positivos para os seus membros e para a comunidade global.

– Excerto da mensagem de António Mexia, Presidente cessante da Direção do BCSD Portugal
Clique para consultar o Relatóiro e Contas 2018 do BCSD Portugal >
REDE






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