Como incorporar o preço voluntário de carbono no modelo de negócios?

Como incorporar o preço voluntário de carbono no modelo de negócios?

Data da publicação: Fev 2016

Os impactos das alterações climáticas integram os processos de decisão e representam uma parcela do orçamento em empresas de sucesso. Segundo a publicação Putting a price on risk: Carbon pricing in the corporate world do Carbon Disclosure Project (CDP), mais de 1000 empresas em todo o mundo estão, ou vão estar dentro de dois anos, a incorporar de forma voluntária o preço de carbono nas suas operações. Esta é uma forma de conhecer os riscos do negócio relacionados com as alterações climáticas, diminuir o risco para os investidores, identificar oportunidades, antecipar a futura legislação relativa às emissões de CO2 e criar argumentos para preparar a legislação em conjunto com os decisores de políticas públicas.

Em Portugal, o preço do carbono ainda não é incorporado pelas empresas que não integram o Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), o mecanismo da União Europeia, criado em 2005, para combater as alterações climáticas e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A pensar em todas as empresas que não integram o CELE mas que podem incorporar o preço de carbono de forma voluntária, os membros do BCSD trabalharam em conjunto para tentar encontrar algumas respostas sobre os desafios e as oportunidades deste compromisso voluntário. O evento foi exclusivo para membros do BCSD e decorreu em grupos de trabalho.

Desafios da implementação voluntária do preço de carbono internamente:

• criação de novas metodologias;
• integração de objetivos associados ao baixo carbono nos key performance indicators (KPI) anuais individuais;
• alargamento do preço de carbono à cadeia de valor;
• análise da evolução dos custos marginais seguida da tomada de decisões;
• sensibilização da população para o consumo sustentável.

Oportunidades da implementação voluntária do preço de carbono internamente:

• compromisso das várias unidades de negócio com a otimização de recursos e com a internalização do custo de carbono nos seus orçamentos;
• criação do selo “produto de baixo carbono” para divulgação de produtos mais sustentáveis;
• diversificação de produtos;
• resposta às exigências emergentes dos clientes;
• aumento da satisfação dos clientes que podem optar por produtos descarbonizados;
• melhoria do relacionamento com stakeholders;
• maior acesso a financiamento;
• tema para comunicar interna e externamente;
• impacto positivo na reputação.

Incorporar o preço do carbono no modelo de negócios obriga a reengenharia e adaptação de processos, otimização do uso de recursos e inovação no design e conceção de novos produtos ou serviços que diminuam, em simultâneo, a pegada carbónica da empresa e dos clientes. A aposta por edifícios mais eficientes, a valorização energética dos resíduos e a produção de energia através de fontes renováveis, são outros dos caminhos a tomar.

Estes projetos requerem investimento e investidores sensibilizados com este tema, requerem políticas públicas adequadas e contribuem para que as empresas construam uma visão de longo prazo. A inovação, os projetos piloto e as parcerias terão um papel fundamental na construção do conhecimento necessário à proliferação da incorporação do preço de carbono de forma voluntária nas operações.

Para facilitar este exercício a We Mean Business – plataforma de líderes e empresas que estão a revolucionar os seus modelos de negócio e a aproveitar as oportunidades resultantes das alterações climáticas – criou um pequeno guia com os cinco aspetos que as empresas precisam de saber sobre o mercado de carbono. O guia mostra que incorporar o preço do carbono é mais rápido e mais fácil do que se julga. A Microsoft é uma referência mundial no mercado voluntário de carbono.

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2017-12-22T17:09:49+00:00
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