Competências críticas do capital humano até 2020 (CidadeMAIS)

Competências críticas do capital humano até 2020 (CidadeMAIS)

Data da publicação: 22/07/2015

O BCSD desafiou a EDIA, Everis, Hay Group, Nestlé e REN a partilharem os desafios que sentem na identificação de competências críticas para o negócio e de que forma têm vindo a construir soluções, em parceria com instituições de ensino. As conclusões desta partilha apontam que na hora de adaptar os planos curriculares à oferta de emprego, as escolas profissionais e politécnicos são mais flexíveis do que as universidades, sendo que nos cursos de MBA e pós-graduações há maior proximidade entre empresas e universidade.

No entanto, as empresas convidadas para o painel de debate não cruzam os braços. Quando não encontram determinado perfil no mercado de trabalho, constroem-no internamente. Ficou claro que a identificação de competências críticas ainda é uma prática das empresas que fazem planeamento a longo prazo.

O caso da REN
O negócio da REN é muito maduro e o planeamento de gestão é trabalhado a 10 anos. Estes são os dois fatores que facilitam o planeamento da identificação das necessidades de capital humano, isto é, a previsão dos perfis necessários. Porque é um assunto acompanhado pela equipa de gestão, a identificação dos perfis é feita com elevado nível de precisão. Para Elsa Carvalho, diretora de recursos humanos da REN, “a identificação de competências críticas só faz sentido quando pensada a longo prazo mas, na prática, a dinâmica das empresas é muito célere e gerida no curto prazo”.

Os dois perfis mais críticos para a REN são os profissionais técnicos de eletricidade de alta tensão e baixa tensão e os profissionais de engenharia mecânica e eletrotécnica. Como os técnicos de eletricidade de alta tensão e baixa tensão escasseiam no mercado e uma vez que são cruciais para o negócio, a empresa optou por formar estes perfis internamente e por estabelecer parcerias com escolas técnico-profissionais que têm vindo a adaptar os planos curriculares, para posteriormente se tornarem fonte de recrutamento para a REN.

No caso dos profissionais de engenharia mecânica e eletrotécnica, a solução também passaria por uma adaptação dos conteúdos dos cursos superiores. Para estes perfis, a solução da REN passa pelos estágios de Verão, que são uma forma de os alunos fazerem vários estágios ao longo do curso.

O caso da EDIA
A EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, é outra das empresas que tem vindo a formar internamente os perfis de que necessita. Com a grande dimensão geográfica do empreendimento de Alqueva, foi necessário recrutar técnicos profissionais de monitorização e fiscalização do ambiente, que teriam de passar a maior parte do tempo no terreno, entre Beja e Évora. Como esta especialização não existe no mercado, a EDIA selecionou profissionais com perfil generalista e ministrou a formação em contexto de trabalho. Na área da biodiversidade, há um perfil denominado “monitor de coelhos”, que tem como funções avaliar a distribuição e abundância do coelho-bravo, animal que constitui 98% da dieta alimentar do lince-ibérico, o felino mais ameaçado do mundo que terá o Alqueva como um dos locais de reintrodução ao seu habitat. Ser “monitor de coelhos” é um trabalho temporário, desempenhado por colaboradores entre os 20 e os 70 anos, que através de uma aplicação de telemóvel, contam os coelhos que encontram num percurso previamente definido, sendo depois realizada a contagem total dos animais. Como em Alqueva há vários trabalhos temporários deste género, estes profissionais conseguem manter-se ocupados o ano inteiro.

Na EDIA as preocupações sobre o ensino estendem-se também aos cursos superiores. Segundo Bárbara Pinto, Diretora de Sustentabilidade da EDIA, “foram encerrados vários cursos de áreas agronómicas, que resultam agora em ausência de profissionais neste setor. A produção de azeite e vinha são dois exemplos de que o ensino português não acompanhou a investigação e o desenvolvimento realizada noutros países. Os clientes que hoje se instalam em Alqueva, têm de trazer mão-de-obra externa, como por exemplo, engenheiros agrónomos e técnicos de agricultura de previsão.”

O caso da Nestlé
Em Portugal, a Nestlé está a dar os primeiros passos na adaptação dos conteúdos dos cursos às competências necessárias da empresa. A fábrica de Avanca tem em curso um projeto piloto com três jovens de 16 anos, que resulta de uma parceria com a Escola Profissional de Aveiro e que nos próximos três anos vai aliar o plano teórico, da escola, com o prático, da fábrica.

No sentido de fortalecer e desenvolver a empregabilidade dos jovens na Europa, a Nestlé lançou a “Alliance for Youth”, iniciativa que oferece oportunidades de carreira nas áreas de produção, recursos humanos, vendas, marketing, finanças, engenharia e investigação e desenvolvimento e que convida os fornecedores europeus da Nestlé a oferecer programas de estágio para jovens. “Alliance for Youth” tem ainda disponível um “programa de preparação para o emprego”, com aconselhamento de carreiras, workshops de apresentação de currículos e formação para entrevistas de emprego ministradas nas escolas, nas faculdades e nas instalações da Nestlé.

O caso da everis
De forma a garantir que internamente têm as competências necessárias aos serviços que prestam, a everis tem recrutado engenharias de outras áreas que não a engenharia informática e conta com a everis Corporate University que proporciona planos específicos de formação de carácter obrigatório, recomendados e opcionais, para cada perfil profissional.

Rita Vieira, Talent & People Senior Manager do Hay Group Portugal, afirmou que “para multiplicar os projetos de aproximação dos alunos ao mercado de trabalho, o Instituto de Emprego e Formação Profissional e o Ministério da Educação e Ciência deveriam trabalhar em três eixos: estimular a proximidade entre empresas e estabelecimentos de ensino; repensar a forma de trabalho para que haja maior adaptação às alterações de mercado; partilhar boas práticas.”

A conferência “Competências críticas do capital humano até 2020”, foi realizada no âmbito das conclusões da AÇÃO 1 do BCSD e contou com a participação de Ângelo Vinagre, Human Resources Site Business Partner da fábrica de Avanca da Nestlé Portugal, Bárbara Pinto, Diretora de Sustentabilidade da EDIA, Elsa Carvalho, Diretora de Recursos Humanos da REN, Rui Oliveira, Coordenador da área de People da Everis e Rita Vieira, Talent & People Senior Manager do Hay Group Portugal. A conferência decorreu no Porto, integrada no CidadeMAIS, evento sobre sustentabilidade e ambiente.

FOTOGRAFIAS DO EVENTO

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