“Vai ser a plataforma para o bem da indústria da moda de luxo”

“Vai ser a plataforma para o bem da indústria da moda de luxo”

Data da publicação: 04/03/2019

Em entrevista ao BCSD Portugal, Thomas Berry, Diretor Global para a Sustentabilidade da Farfetch, explica como a plataforma vai contribuir para reduzir o impacto ambiental da indústria da moda, elevar os padrões de transparência e desenvolver modelos de negócio circulares.

De que maneira ligar criadores, curadores e consumidores numa plataforma online pode contribuir para concretização de objetivos ligados à sustentabilidade?

A Farfetch quer incluir a sustentabilidade na estratégia de negócio, e não apenas por temos um sentido de responsabilidade que nos leva a fazer algo. Quando falamos de sustentabilidade, referimo-nos a um conceito muito alargado. Nós queremos focar-nos em áreas onde possamos ter um impacto genuíno na vida das pessoas e do planeta, de uma forma que possa ajudar-nos também a ter um negócio de sucesso. Sendo a plataforma tecnológica global para a indústria da moda de luxo, a visão mais natural de negócio sustentável da Farfetch é tornar-se também a plataforma global para o bem da indústria da moda de luxo. A indústria da moda tem de mudar – é uma das mais poluidoras do mundo e sofre ainda com uma miríade de problemas sociais e ambientais. Como plataforma, temos a possibilidade de reduzir o impacto da nossa pegada de carbono e o desperdício, e de ajudar os nossos parceiros a fazer o mesmo. Podemos e devemos inspirar os consumidores ao indicar as marcas mais conscientes ambientalmente, e ajudar a indústria a elevar os padrões de transparência. Também é possível explorar modelos de negócio diferentes, mais circulares, que contribuam para reduzir o desperdício e para aumentar o ciclo de vida das roupas, através do desenvolvimento de novos serviços e da inclusão na nossa plataforma de parceiros que estejam a inovar nesta área.

Na vossa opinião, e tendo o setor da moda de luxo como referência, que relevância tem a consciência ecológica na definição da individualidade e que exigências faz o consumidor ao nível da sustentabilidade? Quão importante é a transparência para as empresas do setor?

Há um aumento considerável do interesse em sustentabilidade por parte dos consumidores, em particular entre os millenials. No entanto, o que os estudos mostram é que as preocupações ambientais ou éticas ainda não estão entre os factores decisivos no momento de tomar uma decisão. Ainda assim, aquilo que sabemos é que os clientes querem de facto confiar nas marcas e querem sentir-se bem com aquilo que vestem. Por isso, escolhem cada vez mais as marcas que incluem a sustentabilidade e um propósito social nos seus valores. Ser transparente em relação àquilo que faz e que defende, em relação à forma como faz os seus produtos, é vital para qualquer marca. Este pensamento estende-se ao sucesso dos modelos de economia circular, como aluguer, revenda ou restauros. E isto vai basear-se no apelo aos motivos de compra mais comuns entre os consumidores: preço, novidade, conveniência, estilo, qualidade, etc. Os consumidores estão cada vez mais conscientes e preocupados com o impacto da chamada fast fashion – usar roupas durante pouco tempo e imediatamente desfazer-se delas. Parte do apelo dos modelos de economia circular é precisamente o facto de atacarem diretamente este problema. Assim, os consumidores conseguem satisfazer os seus desejos quando compram e, ao mesmo tempo, fazer algo que faz com que se sintam bem.

Definem, como um dos valores da marca, a sustentabilidade: de que forma se reflete nos vossos objetivos para 2019?

A Farfetch vai ser a plataforma para o bem na indústria da moda de luxo. Estamos ainda no começo desta jornada, mas temos já planos muito concretos para 2019. A Dream Assembly, que é a aceleradora tecnológica da Farfetch, abriu recentemente as candidaturas para a segunda edição, focando-se em start-ups em estágio inicial, com fins lucrativos, mas que apresentem projetos com benefícios sociais ou ambientais. Em 2018, o ano inaugural, a Farfetch acolheu 11 start-ups de 9 países e a maioria delas apresentaram projetos com benefícios sociais e ambientais significativos – estamos a falar de serviços de restauro, negócios de revenda ou aluguer, tecnologias para minimizar os erros com tamanhos, que vão ajudar a diminuir a taxa de devoluções, e uma solução tecnológica para aumentar a autenticidade, transparência e confiança nos negócios. Temos um conjunto de programas para tornar a nossa cadeia de logística mais eficiente do ponto de vista de custo e de pegada ecológica, e estamos a desenvolver novas embalagens, garantindo que estão todas certificadas ambientalmente. Para além disso, temos já projetos de economia circular e parcerias que vão ajudar a aumentar o tempo de vida de roupas e acessórios, e estamos prestes a juntar-nos à Fundação Ellen MacArthur – Make Fashion Circular, que é uma iniciativa para promover a mudança na indústria. Outro dos nossos objetivos é investir em ferramentas online e de marketing para destacar e promover das marcas com maior consciência ambiental presentes no nosso marketplace. Esta nossa estratégia para 2019 será o começo da jornada para ajudar a indústria a caminhar num rumo mais moderno e mais sustentável, afirmando assim a moda como uma força para o bem. Saiba mais sobre a Farfetch >

2019-03-04T12:33:45+00:00
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