Na vanguarda da bioeconomia

Na vanguarda da bioeconomia

Data da publicação: Mai 2019

Em entrevista, Diogo da Silveira, CEO da The Navigator Company, explica como a empresa está a reforçar a circularidade da economia do setor florestal em Portugal e como o setor planeia partilhar os benefícios gerados com a comunidade e as outras indústrias.

Quais as principais tendências de inovação no domínio da sustentabilidade no setor da celulose e do papel?

O setor da pasta e papel tem uma história marcada pela inovação tecnológica associada ao uso eficiente dos recursos, destacando-se a utilização de biomassa florestal como fonte de energia renovável e como matéria-prima para o processo produtivo de outras indústrias. No momento atual, o setor assume um papel de vanguarda no domínio da Bioeconomia. Em particular, a The Navigator Company está a desenvolver, através do RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, e em parceria com universidades e empresas, projectos em diferentes domínios da Bioeconomia, podendo citar-se, a título de exemplo, os da produção de óleos essenciais, de biocompósitos ou de biocombustíveis que, ao utilizar resíduos de biomassa florestal, não competem com outros usos da terra, (nomeadamente no que respeita a produção alimentar) e reforçam a circularidade da economia.

Porque é a sustentabilidade um elemento estratégico para a competitividade da The Navigator Company e de que forma se reflete nos vossos objetivos e no plano de atividades para 2019?

Na The Navigator Company a sustentabilidade encontra-se espelhada na gestão responsável do negócio, desde o recurso natural e renovável, que protegemos e valorizamos, a floresta, até ao papel, o produto mais reciclado na Europa. Para além do plano de atividades para 2019, a Companhia delineou compromissos e metas a atingir no horizonte 2020-2025, que estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e procuram contribuir para responder aos desafios de sustentabilidade à escala global. A título de exemplo, o nosso “Roadmap to a Carbon Neutral Company”até 2035 visa dar resposta ao desafio de construção de uma sociedade descarbonizada, 15 anos antes do horizonte previsto pelo Roteiro para a Neutralidade Carbónica em Portugal envolvendo investimentos ambiciosos em energias renováveis. Esta estratégia de se tornar uma empresa neutra em carbono foi reconhecida pelo CDP – Climate Disclosure Project em 2018, com a atribuição do nível A, de Leadership, tendo sido a única empresa portuguesa a obter esta distinção. Outra meta relevante prende-se com a diminuição de 15% na utilização de água pelos nossos complexos industriais até 2025. No domínio das Pessoas, uma preocupação essencial da The Navigator Company, uma aposta central tem sido na criação e desenvolvimento de uma “Learning Organization”, subordinada ao motto “Learn anytime, anywhere”,que permita ajudar a desenvolver o talento dos seus Colaboradores. Nesse sentido, é um dos 18 case studies a nível mundial referidos pelo WBCSD na sua brochura “Business Leadership for the Future of Work”. Em 2018, a Empresa efectuou 200.962 horas de Formação a 3.070 Colaboradores.

De que forma têm os recentes acontecimentos ambientais em Portugal – aumento das temperaturas, seca, fogos florestais, novas leis sobre a limpeza das florestas – afetado a maneira como a vossa empresa opera a nível nacional? Que perguntas fazem consumidores e parceiros?

O setor florestal é um dos principais motores da economia portuguesa e uma fonte de riqueza ambiental e social. A The Navigator Company promove o desenvolvimento rural através da gestão de 110 mil hectares de área florestal em 165 concelhos no país, desde o Minho até ao Algarve. A Companhia assegura não só a gestão e valorização dos espaços rurais como também um conjunto de iniciativas que beneficiam a comunidade. De realçar o investimento anual de cerca de € 3 milhões na defesa da floresta contra incêndios e os programas de fomento da certificação desenvolvidos junto dos produtores florestais. Como resultado destes programas, em 2015 o número de fornecedores com cadeia de custódia certificada era de 7% e em 2018 já atingiu os 77%. As alterações climáticas e as restrições legislativas à plantação de eucaliptos são riscos ao desenvolvimento da atividade da Companhia, mas também uma oportunidade para reunir os stakeholders do setor em torno daquele que deve ser o objetivo comum, o de promover uma gestão profissional e sustentável da floresta portuguesa partilhando os benefícios gerados com a comunidade. O reconhecimento do papel da The Navigator Company no domínio de uma gestão profissional e sustentável da floresta tem servido de referência e fonte de inspiração no alargamento das melhores práticas florestais ao resto do País.

Que oportunidades e inovações ao nível do modelo de negócio trouxe a preocupação crescente da sociedade com a gestão eficiente e responsável da floresta, da água, da energia, dos combustíveis fósseis, das emissões de carbono e dos resíduos?

A sensibilização da sociedade para a necessidade de gerir os recursos naturais de forma eficiente, e a consciência de que o planeta não tem capacidade para responder à procura crescente de matérias-primas, são motores para a inovação e desenho de soluções de negócio mais sustentáveis. O modelo de economia circular é uma das respostas para este desafio. A The Navigator Company é um exemplo por excelência neste domínio, uma vez que usa recursos renováveis de forma eficiente e numa lógica de cascata. A madeira que utiliza nos seus processos provém de florestas com gestão certificada que estão em constante renovação. Utiliza 90% de matérias-primas renováveis, onde se inclui a matéria-prima florestal e cerca de 70% da energia consumida é proveniente de biomassa florestal. A Navigator tem como objetivo continuar a reduzir a produção de resíduos e procura integrar e reaproveitar os mesmos no seu ciclo ou valorizando-os como subprodutos. Cerca de 80% dos resíduos são valorizados. Sendo um setor exemplar neste domínio, temos a legitimidade e a responsabilidade para ser uma referência para outras indústrias no respeitante à Economia Circular.

Como consumidor, onde considera que há espaço para melhorias ao nível da sustentabilidade?

O verdadeiro desafio da sustentabilidade está na mudança de comportamento das pessoas. Como consumidores temos um papel decisivo em optar por produtos mais sustentáveis e adotar hábitos de vida menos intensivos em termos da utilização de recursos, como a água e a energia. A educação joga um papel determinante nesta evolução da sociedade. Um sinal positivo é o facto de as camadas mais jovens estarem cada vez mais conscientes do seu papel enquanto atores da mudança. Veja-se a recente manifestação de jovens estudantes, à escala global, por um planeta capaz de abrandar o ritmo das alterações climáticas. Voltando ao início da conversa, a inovação tecnológica dará um contributo cada vez mais decisivo para a construção de uma sociedade mais sustentável e resiliente. Temos de ser capazes de agir coletivamente – países, empresas e cidadãos – para garantir que deixamos aos nossos filhos e netos um planeta saudável. Esse continua a ser o grande desafio da Humanidade, o de garantir a nossa permanência no belo planeta azul. Saiba mais sobre a The Navigator Company >

2019-05-06T12:37:50+00:00
This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Accept