Sociedade 5.0: baseada na tecnologia, centrada na humanidade

Sociedade 5.0: baseada na tecnologia, centrada na humanidade

Data da publicação: Fev 2019

Este conceito, a visão para o futuro pensada e exportada pelo Japão, será o tema da Conferência Anual do BCSD Portugal em 2019. Face aos desafios de hoje, este plano para amanhã passa pela aposta em tecnologia como a robótica, a big data, a internet das coisas e a inteligência artificial e pela sua aplicação concreta à saúde, à mobilidade e ao desenvolvimento pessoal de todos. O objetivo é, através da digitalização de todos os setores da sociedade, viver num mundo super-humano, super-inteligente, super-conectado, super-eficiente e, por isso, super-sustentável.

Esta nova era foi anunciada pelo primeiro ministro nipónico, Shinzo Abe, no CeBIT 2017, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo. “Estamos preparados para encontrar soluções para problemas que não podiam ser resolvidos anteriormente. Esta é a era em que todas as coisas estão conectadas, todas as tecnologias se fundem, e este é o advento da Sociedade 5.0”, anunciou.

Clique aqui para explorar o website ‘Society 5.0’ criado pelo Governo do Japão >

A inovação será constante, tudo estará ligado, as pessoas terão mais tempo, uma vida mais ativa e estarão livres de alguns dos mais comuns constrangimentos e das mais debilitadoras limitações, grande parte das atividades económicas poderão ser automatizadas, as empresas terão missões sociais, o propósito sobrepor-se-à ao lucro, dar-se-á mais valor à imaginação e à criatividade e serão encontradas soluções eficazes para os atuais desafios sociais – por exemplo, o envelhecimento da população e a diminuição da população ativa deixarão de ser problemas.

“Uma sociedade centrada nos humanos que equilibra o progresso económico com a resolução de problemas sociais através de um sistema que integra de forma eficaz o ciberespaço e o espaço físico”, explica o Gabinete do Governo do Japão, frisando a relevância de nutrir uma colaboração estreita entre a academia, a indústria e o governo.

Por um lado, o facto da vanguarda desta mudança ter sido assumida por um Governo promete ter consequências políticas e sociais significativas e capazes de nos levar todos ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por outro lado, se não forem definidos pontos de ação globais e concretos, a descrição deste futuro perfeito deixa-nos tangentes a uma utopia, como concluiu a discussão no World Economic Forum em Davos no ano passado.

Num documento da Keidanren, principal associação empresarial do Japão, é mesmo mencionando o “derrubar de cinco paredes”, nomeadamente, limites políticos, legais, tecnológicos, dos recursos humanos e da aceitação social: o plano enfatiza não só a necessidade de obter um consenso social, mas também a de fazer um exame profundo às implicações sociais e às questões éticas da relação homem-máquina e a questões filosóficas como a definição de Humanidade e de felicidade individual.

Mas, para satisfazer os mais pragmáticos, o Japão responde que, para inovar, devemos apontar para o que desejamos e não para o que é previsível, e ainda apresenta algumas soluções concretas e metas bem próximas: já é possível fornecer cuidados de saúde personalizados e preventivos através da recolha e análise de informação individual e dados médicos ao longo da vida a preços cada vez mais baixos; planeiam-se avanços nos sistemas de logística e distribuição que incluem camiões autónomos nas estradas já em 2022 e entregas com drones em zonas remotas ainda este ano; estas iniciativas de inovação tecnológica, em concreto, conseguirão reduzir os acidentes na estrada e a emissão dos gases com efeito de estufa, optimizar as cadeias de abastecimento e levar produtos e serviços a pessoas sujeitas a desigualdades regionais.

Há já, de facto, várias propostas, iniciativas e inovações no sentido de fazer tudo isto acontecer. Resta-nos descobrir como vai o mundo globalizado unir esforços e definir, para todos, as mesmas ambições libertadoras, igualitárias e sustentáveis. Cada um de nós deve questionar-se sobre que conhecimento e valor pode adicionar à discussão.

2019-02-28T15:48:24+00:00
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