Fashion for Good

Fashion for Good

Data da publicação: 27/03/2019

Artigo de opinião por João Wengorovius Meneses

O BCSD Portugal visitou o Fashion for Good, um centro de inovação e aceleração de moda ética, situado no centro de Amsterdão. Para ser ético (i.e. good fashion), um artigo tem de respeitar seis princípios: (i) “good looking”, (ii) “good materials (safe, healthy and designed for reuse and recycling)”, (iii) “good economy (growing, circular, shared and benefiting everyone)”, (iv) “good energy (renewable and clean)”, (v) “good water (clean and available to all)” e (vi) “good lives (living and working conditions that are just, safe and dignified)”.

No Fashion for Good, marcas multinacionais, startups, investigadores e empreendedores encontram-se para desenvolver novas soluções, isto é, novos materiais, tecnologias e modelos de negócio, capazes de revolucionar a indústria da moda no sentido da sustentabilidade. Como? O edifício tem 5 pisos, ao longos dos quais ficamos a conhecer o seguinte:

O contexto atual. Para além de uma breve história da indústria da moda, são-nos apresentados alguns dos principais desafios que esta atualmente enfrenta ao nível da sustentabilidade. Por exemplo, ficamos a saber que a moda é a segunda indústria mais poluidora e responsável por 10% das emissões de carbono, que a produção de uma t-shirt de algodão envolve o consumo de 2.700 litros de água (o equivalente ao consumo médio de uma pessoa ao longo de 3 anos), que a produção de um par de sapatos de pele emite carbono equivalente a uma viagem de carro de 38 quilómetros, que a produção de algodão é responsável por 11% do uso mundial de pesticidas e 24% de inseticidas, que a produção com recurso a polyester e outras fibras sintéticas necessita até 25 vezes mais energia do que a produção com fibras naturais, emite gases 300 vezes mais nocivos para a saúde do que o dióxido de carbono, tem um tempo de decomposição que poder chegar aos 200 anos e é responsável por 85% dos microplásticos encontrados nos oceanos, que dos 400 mil milhões de metros quadrados de têxteis produzidos anualmente, pelo menos 15% nunca chega a ser vendido, e que o trabalho infantil e salários e condições de trabalho miseráveis têm uma incidência especialmente elevada na indústria da moda.

A cadeia de valor. No primeiro piso do edifício é dissecada a cadeia de valor da indústria da moda, com especial realce dos principais desafios relacionados com a sustentabilidade – desde a produção de matérias-primas, à respetiva transformação, transporte, venda e fim de vida.

showroom de marcas sustentáveis. Um open space, com renovações periódicas de marcas e coleções, no qual se mostram e vendem marcas de roupa sustentáveis, curiosamente, algumas produzidas em Portugal.

As inovações e as soluções. No piso 3 funciona a área de inovação, onde se desenvolvem os novos materiais, tecnologias e modelos de negócio. Os exemplos em exposição incluem: o uso de pele de maçã em vez de pele de origem animal para a confeção de malas, sacos 100% biodegradáveis, o uso de bactérias e de açúcar num processo de fermentação que permite o tingimento de tecidos (em vez de químicos), a produção de peles biodegradáveis em laboratório e de fibras naturais a partir de celulose ou de casca de laranja, o uso de cogumelos para produção de espumas biodegradáveis (utilizadas em solas de sapatos), apps para alugar roupa (para se poder viajar sem vestuário na bagagem), soluções para o rastreamento integral dos artigos através do smartphone, sistemas de entrega por correio com recurso a embalagens reutilizáveis que podem ser devolvidas à origem sem qualquer custo adicional, soluções de devolução de peças em fim de vida para decomposição e reciclagem (com um sistema de vouchers associado a funcionar como incentivo), cabides resistentes de papelão, glitters feitos de eucalipto, soluções de impressão 3D no próprio local da venda (evitando stocks, transportes e desperdício), entre outras.

A aceleradora. Por fim, no último piso do edifico desenvolvem-se os programas de aceleração (Plug and Play) para startups.
Durante a visita ao Fashion for Good podemos ir assumindo vários compromissos, no que toca a pequenas mudanças de hábitos e comportamentos enquanto consumidores, informação esta que fica registada numa bracelete digital que nos é dada à entrada para nos ser enviada por email após a visita. No total, podemos assumir até 40 compromissos, que nos ajudarão a tornar a nossa jornada como consumidores de moda mais ética e sustentável. O desafio é consumir de forma consciente, isto é, menos e melhor.

2019-03-27T12:07:22+00:00
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